Oscilações de tráfego são normais em qualquer site, mas precisamos ficar atentos a possíveis tendências de queda. Na maioria das vezes, o problema está no conteúdo, e isso é ótimo, mas cada caso é um caso.
“O tráfego do site está caindo”, “essa página teve poucos visitantes este mês”, “mês passado estava alto, por que caiu agora?” - Se você é um profissional de SEO e não escuta isso quase toda semana, você provavelmente está fazendo algo muito errado.
Diferentemente do que os clientes acreditam, nós não podemos controlar tudo. Na verdade, o princípio de tudo, que é o interesse e o comportamento das pessoas, é o que menos podemos controlar.
Um belo dia, a coisa mais interessante que um usuário encontrou na internet foi o seu site. No outro, é uma reviravolta da economia ou a nova fofoca bombástica do BBB.
Se você fala de saúde, alimentação e moda fitness, é de esperar que seu tráfego cresça no verão e caia no inverno. Se você fala de negócios, obviamente não vai ter muitos acessos durante o carnaval - só depois, colega!
É varejo? Dia das mães, dia dos namorados, Black Friday, Natal, esses são os dias bons. O resto do ano? É tocar o barco e se preparar para a próxima alta.
Resumo da ópera: o tráfego não é estável, e nunca será! A não ser que você o gere de maneira artificial, abarrotando seu site de pessoas desinteressadas e jogando rios de dinheiro fora em anúncios só para se sentir em paz observando dados falsamente consistentes.
Se você tem uma estratégia legal e está fazendo tudo certo, o seu tráfego vai oscilar. Vai subir, vai descer, vai subir rápido, vai despencar. E é, por isso, que você deve analisar seus números no médio e longo prazo.
Agora, é claro que problemas podem acontecer. Problemas técnicos no site, problemas com backlinks, mudanças do Google, entre outros. Entretanto, devo dizer que, na maioria das vezes, a culpa é sua mesmo, ou melhor, do seu conteúdo.
E, aí? O tráfego do seu site está caindo, despencando?
Primeiro se acalme, relaxe e respire fundo. Depois, é só seguir a leitura que vou ajudar.
Antes de tudo, é bom conferir se o seu site está em dia com a “lição de casa do SEO”, digo, as práticas básicas que todo site precisa seguir para conseguir aparecer e rankear nos buscadores:
desempenho: o site está leve, rápido e estável?
design: as páginas são bonitas, agradáveis e fáceis de navegar?
produção de conteúdo: está criando novos posts de forma consistente?
links internos: os links estão bem estruturados, apontando para as páginas principais?
backlinks: há links em sites com autoridade apontando para as suas páginas?
E-E-A-T: seu conteúdo está seguindo devidamente o “manual de etiqueta da Google” (experiência, expertise, autoridade e confiança) ?
Todos esses fatores precisam estar em dia para permitir o máximo desempenho do seu blog nas buscas.
Entretanto, isso não deve ser uma obsessão, ok?
Nem sempre o site mais rápido estará no topo. Nem sempre o site mais intuitivo estará no topo. Nem sempre o site com mais backlinks estará no topo (sim, não é necessário ter um monte de backlinks como antigamente) e, claro, nem sempre o melhor conteúdo estará no topo - essa última é mais notável, infelizmente.
Como digo, faça a sua lição de casa, melhore o máximo possível (sem paranoia) e sempre priorize seu conteúdo quando precisar ceder algo - por exemplo, entre ter um site com excelente performance ou um site com conteúdos mais ricos, prefira a segunda opção.
Está tudo certo, mas o tráfego segue caindo? Vamos em frente!
Passo 2: confira as novidades do Google
O webmaster que nunca levou uma rasteira do Google que atire a primeira pedra!
Pois é, o buscador está sempre fazendo ajustes em seus sistemas e em sua política. E, atualmente, com toda a ansiedade em torno das automações, essas mudanças estão mais imprevisíveis do que de costume.
Honestamente, devo dizer que se você é um profissional de SEO ou depende de tráfego orgânico para vender seus serviços e produtos, é sua obrigação acompanhar as notícias da área, seja por meio dos canais oficiais do Google, seja por meio de influenciadores.
Para acompanhar especificamente as novidades sobre SEO, a sua melhor fonte em português é o blog do Google Search Central, mas você pode acompanhar gurus e influenciadores, como o Vitor Peçanha, o Neil Patel e a Julia do SEO.
Caso tenha comido mosca e deixado de realizar alguma alteração sugerida pela equipe do buscador, trate de resolver isso logo.
Entretanto, é bom ficar de olho também nas mudanças na experiência do buscador e como elas afetam o seu site.
A mais impactante do momento são as chamadas “Visões gerais criadas por IA”, que é basicamente um resumo gerado a partir da análise dos principais sites que aparecem nos resultados da busca.
Os links para os sites de referência aparecem, mas é certo que isso impacta o tráfego de muitos deles - algo parecido com o que aconteceu com a chegada dos Featured Snippets.
Se for o seu caso, será preciso realizar ajustes em sua estratégia. Algumas opções são:
criar conteúdos e títulos que instiguem cliques, mesmo quando aparecem juntos ao box de IA generativa;
fortalecer o tráfego a partir de palavras-chave que ainda não são contempladas por resumos de IA;
aceitar a derrota para a Inteligência Artificial.
Passo 3: verifique se há algo novo na concorrência
Seu site estava indo bem, só crescia o tráfego mês a mês. Você, então, sentiu que o jogo estava ganho e resolveu parar e ficar só observando os números subirem e o dinheiro cair na sua conta. Vitória!
Enquanto isso, seus concorrentes seguiram trabalhando e, enquanto você tomava água de coco, eles estudaram, melhoraram e, claro, te passaram, assumindo a liderança.
Pois é. O SEO é uma corrida sem fim, e não dá para sossegar, mesmo quando seu nicho é muito específico e tem poucos concorrentes. E, claro, tem sempre gente boa chegando, assim como você foi novidade um dia nas SERPs.
Sendo assim, é sempre bom dar uma conferida nos resultados e fazer visitas frequentes nos sites “adversários”. O motivo para sua queda de tráfego pode estar em alguma melhoria que seu concorrente implementou - que pode ser a coisa mais ridícula, como um pequeno ajuste de design ou um tópico extra no post.
Identificou algo diferente, alguma melhoria relevante? Pois faça também! Só não vá copiar literalmente, ok? Faça diferente, faça melhor!
Foi o conteúdo que mudou? Isso nos leva ao próximo passo.
Passo 4: hora de atualizar seus conteúdos
Se o site seu site está com o SEO em dia, se a concorrência não andou fazendo nada mirabolante e se não há nenhuma explicação sazonal ou midiática para a queda de tráfego, então, é certeza que o problema está em seu conteúdo!
Já digo, inclusive, que em sites maduros (sites que já geram tráfego considerável há algum tempo), este será o problema na maioria das vezes. E isso é ótimo!
Por que ótimo? Pois o problema está na sua própria casa! Fica muito mais fácil resolver!
Quem trabalha com SEO há algum tempo sabe que o Google simplesmente adora atualizações, e isso é óbvio. O objetivo do buscador é tentar levantar o conteúdo mais relevante, e que conteúdo pode ser mais confiável do que aquele que resistiu à prova do tempo e é revisado frequentemente?
Pois é. A questão é que muitas vezes ficamos preguiçosos, especialmente com posts que entregam boa performance - afinal, em time que está ganhando não se mexe, certo? Errado!
Sempre bom atualizar dados e informações, por menores que sejam, deixando em dia também a data do post, pois muitos usuários conferem.
Não há um intervalo universal definido para realizar atualizações, mas gosto de acreditar que 6 meses é o tempo máximo que você deve espaçar suas auditorias.
Na publicação acima, eu falo em excluir posts irrelevantes e sem backlinks, mas isso é um exagero. Na verdade, se o conteúdo não é relevante, ele nem deveria ter sido criado!
E, claro, você não precisa esperar 6 meses, principalmente se já foi constatada uma tendência de queda no tráfego. Faça sempre que for necessário.
Meu blog tem centenas de conteúdos, preciso atualizar tudo?
Sim! Mas depende!
Grandes atualizações massivas são caras e trabalhosas. É um trabalho que deve ser feito somente uma ou duas vezes ao ano. Se o seu blog é grande, provavelmente você precisará contratar pessoas para isso, e não quero que gaste dinheiro em vão e reclame comigo depois.
O mais importante é identificar as páginas que mais precisam de atualização, ou seja, aquelas cujo tráfego está caindo consideravelmente. Quando as visitas são concentradas em alguns posts é fácil identificá-las, mas nem sempre isso é possível.
A boa notícia é que você pode encontrar facilmente os posts que precisam de manutenção usando o Google Search Console:
no menu lateral, em Desempenho, selecione Resultados da Pesquisa;
sobre o gráfico, no seletor de períodos, em Mais, selecione a aba Comparar;
selecione para comparar os últimos 3 meses (ou 6 meses para ter uma visão mais abrangente);
por fim, Aplicar.
Pelo gráfico, você já terá uma visão geral que permite saber se seu tráfego está aumentando ou caindo. Neste caso, porém, o que nos interessa está na tabela abaixo dele.
Na aba PÁGINAS, você terá uma comparação entre o total de cliques entre o período anterior (últimos 3 ou 6 meses) e o período atual.
Na coluna “Cliques Diferença“, você encontra facilmente as páginas que tiveram queda nos cliques. Clique sobre duas vezes para a lista começar pelas páginas que mais perderam cliques.
O seu trabalho aqui é anotar todas as páginas que tiveram queda de cliques e dar prioridade a elas nas atualizações, sempre começando pelas que mais recebem tráfego normalmente ou que tiveram as maiores quedas.
É trabalhoso? Sim! Mas é o que precisa ser feito - ou aceitar o fim dos acessos orgânicos no seu site no futuro próximo. Há conteúdos que precisam morrer mesmo.
É possível que existam outros problemas? Sim! Seu site pode estar sendo alvo de ataques, páginas com backlinks importantes podem ter sido removidas, assim como as pessoas podem, simplesmente, ter perdido o interesse no seu conteúdo.
Entretanto, se você fez a sua lição de casa de SEO, problemas tão graves são raríssimos. Na maioria das vezes, como disse, se o tráfego do seu site caiu, a culpa é sua mesmo.
Espero ter ajudado. Qualquer dúvida, é só deixar um comentário ou falar comigo. E boa sorte nas atualizações!
O Site Stripe da Amazon está com novo visual e agora exibe a categoria do produto e a taxa de comissão na barra superior. A plataforma agora também está disponível no aplicativo Amazon Shopping, simplificando a geração de links de afiliados.
Quem é associado da Amazon deve ter notado a mudança ao acessar o marketplace nos últimos dias. O novo visual do Site Stripe já estava disponível no exterior e agora chegou ao Brasil.
De antemão, digo que pouca coisa mudou, mas a ferramenta ficou mais moderna e com uma aparência mais agradável.
A seguir, trago as principais novidades para você, que também é afiliado, e tiro as principais dúvidas que os usuários andam pesquisando no Google sobre o assunto (afiliados e interessados).
O novo Site Stripe ganhou uma nova identidade visual e agora exibe novos dados na barra superior. A área da logo agora está com fundo roxo, e podemos visualizar a categoria e a taxa de comissão do produto acessado.
De resto, porém, praticamente nada mudou. O link para o portal de Associados continua no mesmo lugar (sobre a logo) e o gerador de links também está igual: permite escolher o ID da loja, o ID de rastreamento e criar links abreviados ou completos.
Na engrenagem, no canto direito, acessamos um resumo das configurações com links para “Ganhos”, “Ajuda” e “Opções do SiteStripe”. Você também pode escolher ativar ou desativar a barra do Site Stripe.
Como você vê, as mudanças não são revolucionárias, é mais um “tapa no visual” mesmo, com alguns atalhos para simplificar a vida do afiliado na geração de links.
A outra novidade - que não é tão novidade, pois já está disponível há alguns meses - é o acesso ao Portal de Associados pelo aplicativo, o que realmente pode facilitar bastante a vida de muitos associados.
Como acessar o Portal de Associados pelo aplicado da Amazon?
Para acessar o Portal de Associados pelo aplicativo, basta seguir os seguintes passos:
acessar e logar no aplicativo Amazon Shopping (se não tiver instalado, baixe o app no site oficial);
clique em “usuário” (bonequinho no menu inferior);
role a página até a seção “Amazon Associados”;
selecione “Portal de Associados”.
A Amazon disponibilizou um vídeo ensinando esse passo a passo, pode ficar mais fácil visualizar.
O portal não está completo na versão mobile, mas já está equipado com os principais recursos da plataforma.
Nele, você pode acessar os relatórios de ganhos, métricas de desempenho (mas observo que os dados são atualizados posteriormente), conteúdos da Creator University e algumas ferramentas para influenciadores (listas de ideias e uploads de fotos e vídeos).
Como gerar links de afiliado pelo aplicativo?
Para gerar links de afiliado pelo aplicativo da Amazon, você precisa acessar o anúncio do produto e clicar em compartilhar. Simples, mas não tão intuitivo.
Ao fazer isso, as opções da barra do Site Stripe surgirão, e você poderá criar o link conforme desejar.
Vale destacar que esses recursos não estão disponíveis na versão mobile do site da Amazon (via navegador). Ou seja, para utilizá-los, você precisa usar o aplicativo.
O aplicativo da Amazon para afiliados é bom?
A plataforma para afiliados da Amazon é muito boa, diria que é uma das melhores do mercado (pelo menos entre as disponíveis no Brasil e em português). Entretanto, acho que a versão mobile ainda pode melhorar um pouco mais.
A visão dos relatórios no celular, por exemplo, ainda me agrada mais no site (e também acho que os dados chegam mais rápido nela).
É um detalhe, mas também acho que seria interessante ter uma versão da barra do Site Stripe no aplicativo, até para viabilizar a criação de links para páginas e buscas específicas - preferencialmente com os novos dados que agora são exibidos no desktop.
Outra reclamação é sobre a instabilidade do aplicativo em alguns momentos. Não sei se é só comigo, mas sinto que ele trava mais e demora mais para carregar do que o site oficial da Amazon.
FAQ: perguntas frequentes na internet sobre o Site Stripe
Para fechar, respostas rápidas para algumas dúvidas frequentes dos usuários sobre o Site Stripe da Amazon.
1. O que é Site Stripe?
A plataforma Site Stripe é uma ferramenta da Amazon que permite criar links comissionados, acessar recursos de divulgação e gerir o resultado de vendas e estratégias de marketing de afiliados.
2. Como ter acesso ao Site Stripe?
Para ativar o Site Stripe na Amazon você precisa criar uma conta de associado, ou seja, você precisa participar do programa de afiliados da Amazon.
Não. É possível se cadastrar e receber comissões sobre a venda de produtos da Amazon usando CPF.
Nessa modalidade, porém, ao ultrapassar o valor teto (de acordo com as definições vigentes da Receita Federal), há cobrança gradual de imposto de renda retido na fonte de acordo com a tabela tributária do programa.
4. Quanto ganha um afiliado da Amazon?
O faturamento de um associado da Amazon depende do volume de vendas geradas a partir dos seus links e das taxas de comissões atreladas a eles.
A Amazon não divulga dados ou pesquisas oficiais sobre o faturamento médio dos seus associados. Há desde afiliados individuais que realizam pouquíssimas vendas mensalmente à grandes empresas que atuam no setor com alto faturamento.
5. Quanto é a taxa de comissão pela venda de produtos na Amazon?
As comissões dos associados da Amazon podem variar de 7% a 13%, de acordo com a tabela de comissões padrão da Amazon. Entretanto, podem haver retenções ou recolhimento de impostos no pagamento.
6. Como funciona o pagamento de afiliados Amazon?
Os pagamentos dos associados da Amazon são realizados mensalmente, de forma automática, no fim de cada mês (geralmente entre os dias 28 e 30).
A transferência é realizada na conta cadastrada pelo associado, que deve ter um saldo acumulado de comissões de, no mínimo, R$30. Podem haver retenções de impostos no pagamento.
7. O que são cookies e como funcionam os cookies da Amazon?
Cookies são pequenos arquivos de texto enviados ao navegador quando você acessa um site. Podem ter várias funções, desde monitoramento de marketing à coleta de dados, mas, nesse caso, são usados para informar à Amazon que um usuário chegou por meio de um link disponibilizado por um associado.
Os cookies de afiliado da Amazon duram 24 horas por padrão, ou seja, após uma pessoa clicar em um link gerado por um associado, todas as compras realizadas por ela dentro desse tempo gerarão comissões.
Caso o usuário clique no link de outro afiliado, o primeiro link deixa de gerar comissões e uma nova contagem se inicia a partir do último clique.
8. MEI pode ser afiliado da Amazon?
Em rigor, não. Desde 2023, a tabela Concla do IBGE definiu que o CNAE para prestação de serviço como afiliado é o 7490-01/04 – Atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários, que não está incluido na lista de atividades permitidas para Microempreendedores Individuais.
9. Como criar links de afiliado?
Para criar links que geram comissões sobre a venda de produtos no desktop, você deve acessar o anúncio do produto e, na barra do Site Stripe, clicar em “Obter Link”. Depois, basta copiar o link no formato desejado e usá-lo em suas divulgações.
10. Como gerar links de afiliado no celular?
Para gerar links de afiliado no celular, basta acessar o anúncio desejado no aplicativo oficial da Amazon (logado em sua conta de associado) e clicar no ícone de compartilhamento. As opções para criar de links serão exibidas.
Confira informações detalhadas na seção anterior do texto.
Em resumo, o Site Stripe está com um visual mais moderno e agora facilita a visualização da categoria e da comissão do produto. Suas funcionalidades principais, porém, seguem inalteradas, sendo agora possível acompanhar o desempenho das vendas pelo desktop ou pelo aplicativo.
E, você, associado? O que achou do novo Site Stripe da Amazon?
Vale a pena ser redator freelancer, mesmo com a popularização do ChatGPT e de outras ferramentas de Inteligência Artificial. São várias possibilidades de atuação e ainda há muita demanda em diferentes segmentos. Para se destacar, porém, é preciso se posicionar bem no mercado, além de ter disciplina e cuidar da saúde.
Sei que muita gente quer saber quanto um redator ganha ou como começar como freelancer, mas há muito mais coisas a saber. Por aqui, trago uma visão sobre como é viver de escrita no Brasil e alguns conselhos, tanto para quem está começando, quanto para quem já atua na área.
O meu objetivo principal é trazer uma abordagem realista da profissão, seja para quem deseja se tornar um redator freelancer — para mudar de carreira ou fazer uma renda extra—, seja para quem já atua como redator ou redatora e está tentando sobreviver ou melhorar os seus resultados.
O relato é longo - recomendo um cafezinho-, mas se você realmente tem interesse na área, eu garanto que a leitura valerá a pena. Vamos lá?
Sou redator profissional há cerca de 8 anos e os textos são minha fonte de renda principal (diretamente e indiretamente) há uns 6, aproximadamente.
Já digo, porém, que demorei muito tempo para conseguir me estabilizar e ter uma renda sólida. É uma carreira como qualquer outra: é preciso se dedicar, estudar, ter disciplina e se promover para conhecer pessoas e fazer oportunidades.
Você também deve saber que comecei jovem, sem família para cuidar e com muita disponibilidade. Naturalmente, isso me permitiu arriscar mais e persistir na área, mesmo em épocas que ganhava muito pouco.
Se você é uma pessoa madura com dependentes e despesas importantes, deve entrar nessa com mais cautela.
Conheço pessoas que começaram nessa situação e se deram muito bem, mas também conheço muitas que não conseguiram progredir, seja por falta de resultados, seja por questões pessoais (falo mais sobre isso no fim do artigo).
Meu escritório em home office
Atualmente, além de redator, sou analista de SEO (otimização para mecanismos de pesquisa). Devo dizer, inclusive, que meu apego ao SEO foi fundamental para consolidar a minha carreira na internet e também para investir em projetos próprios — que, hoje, também são parte importante da minha renda.
Se você quer saber por onde começar como redator freelancer, recomendo, portanto, que entre nesse mundo de forma gradual, segura, sentindo a temperatura da água com a ponta dos pés e se molhando, pouco a pouco.
Saiba, porém, que a oportunidade é real: ganhar dinheiro usando apenas um computador, sem precisar sair de casa, é algo muito atrativo, especialmente para quem já sofreu com o trânsito caótico ou o transporte público das grandes cidades.
Só não vale pensar que é moleza. Ser redator freelancer não é fácil. Ser freelancer, inclusive, independentemente da profissão, nunca é fácil. E nossa conversa segue por aí.
Você sabe o que é ser freelancer?
Freelancer… Nunca gostei dessa palavra, e você?
Embora seja um modismo da atualidade ser um profissional “freelancer”, o termo foi cunhado pelo romancista do século XIX, Sir Walter Scott, para descrever os cavaleiros livres dos tempos medievais.
Originalmente, freelancer era o mercenário que tinha sua “lança livre” (free lance), ou seja, aquele que era livre para oferecer seus “serviços” para qualquer pessoa disposta a pagar por eles.
Atualmente, as empresas promovem o freelancing como sinônimo de autonomia, empreendedorismo, futuro, liberdade… E a promessa é ainda mais calorosa quando a profissão viabiliza o tão aclamado — e superestimado — home office.
Ganhar dinheiro, muitas vezes, sem sequer sair da cama parece incrível, e realmente é, se paramos para pensar em contexto. Walter Scott, por exemplo, jamais imaginaria algo assim em seu tempo.
Trabalhar de casa, livre do trânsito, da poluição das ruas, do colega falastrão ou do patrão mal humorado… Uma verdadeira maravilha, certo? Depende.
Qual é a diferença entre um freela e um robô?
Acho que o trabalho freelancer é perfeito para um robô, pelo menos enquanto não fabricam modelos com moral e empatia, claro.
No futuro breve, eles escreverão textos muito melhores do que este e, se bobear, montarão até sindicatos. O ChatGPT ainda está longe disso, mas é inevitável pensar em algo assim.
Arisa, a super robô empática da série russa Better Than Us (Netflix).
Imagine um ser que não experimenta angústia, ansiedade ou fadiga.É mais ou menos assim que um designer ou redator freelancer se sente tratado, especialmente dentro das plataformas e agências.
Essas empresas fazem o “generoso” trabalho de conectar clientes e prestadores de serviço. Porém, de várias formas, fazem de tudo para que eles trabalhem da maneira mais desconectada possível. Por que será?
Para ser justo, devo confessar que a vida de freelancer me trouxe grandes benefícios. O principal deles foi me dar conta de que não sou um robô.
Somos seres humanos “equipados” com toda a maquinaria biológica que nos presenteia com as mais belas sensações:estresse, incerteza, angústia, vazio existencial, medo, sono, dor, tédio…
Tenho plena convicção de que valho muito mais do que os “jobs” que faço — mais um item para minha lista de palavras odiadas —, mas demorei muito para embutir esse “preço” nas minhas horas de trabalho.
O que faz um redator freelancer? É só ler e escrever?
A maioria das pessoas que conheço têm verdadeira repulsa pela leitura e pela escrita. O interessante é que mesmo sem a menor disposição para fazer e aperfeiçoar esse tipo de trabalho, frequentemente o menosprezam (e isso inclui clientes). É só escrever, ora! Qualquer um pode fazer isso.
Cena da série Bojack Horseman (Netflix)
Sou muito grato por, desde cedo, mesimpatizar com a leitura e com a escrita: essas duas práticas contribuíram imensamente para minha plenitude e, principalmente, para a minha carreira, a minha independência financeira e por experiências inesquecíveis que só pude viver graças a minha dedicação aos livros e aos textos.
Por outro lado, é engraçado imaginar que o meu dia a dia como redator seria uma verdadeira tortura para a maioria dos meus familiares, amigos e clientes. O mesmo se passa com você? Não? Que privilégio!
Mas não se engane, principalmente se você é do tipo que ama fazer isso: até para quem gosta e vive de escrita, escrever pode ser muito doloroso!
Escrever sobre o que pensa, sobre o que gosta, sobre o que se importa. Isso é impagável. Um verdadeiro deleite!
Por outro lado, escrever textos numerosos, rasos e ordinários sobre assuntos diversos, por vezes desconexos. Isso é um castigo. Quase uma afronta ao respeito e ao prazer que a leitura e a escrita, em outros contextos, nos proporcionam. E o pior é produzir por volume, receber demandas sem aviso prévio e aturar prazos apertados.
É claro que não precisa ser necessariamente um pesadelo. O primeiro passo para ter uma vida profissional satisfatória é escolher um bom segmento para atuar, algo que te cative, que você realmente se simpatize. O problema é que as opções são muitas!
Em que áreas um redator pode atuar?
Afinal, o que um redator faz ou pode fazer?
Esse profissional pode atuar em diversas áreas, utilizando suas habilidades de pesquisa, análise e escrita para criar conteúdos variados e atender objetivos diversos. Os principais segmentos da atualidade são:
Inbound Marketing: criação de blogposts, artigos, e-books e outros conteúdos que ajudam a educar e engajar o público, além de melhorar o SEO de sites;
Social Media: desenvolvimento de posts, legendas, campanhas e estratégias para plataformas como Facebook, Instagram, TikTok, LinkedIn, entre outras;
Copywriting: produção de textos persuasivos para anúncios, landing pages, e-mail marketing, e campanhas publicitárias, com foco em conversão;
E-commerce: elaboração de descrições de produtos, guias de compra e outros conteúdos que ajudam a aumentar vendas e a melhorar a experiência de compra online;
UX Writing: criação de textos que melhoram a experiência do usuário em interfaces digitais;
Jornalismo: produção de notícias, reportagens, entrevistas e outros conteúdos informativos para sites de notícias e portais de conteúdo;
Educação e e-learning: desenvolvimento de materiais didáticos, tutoriais, cursos online e conteúdos educativos;
Comunicação corporativa: redação de comunicados de imprensa, relatórios anuais, discursos e outros materiais empresariais;
Tecnologia: criação de documentação técnica, manuais de usuário, white papers e tutoriais sobre ferramentas;
Entretenimento e cultura: criação de resenhas, críticas, artigos sobre filmes, séries, livros, música e outros conteúdos culturais e de entretenimento.
Você também pode empreender criando seus próprios sites e blogs, utilizando-os como portfólio ou monetizando as páginas com anúncios ou links de afiliado, por exemplo. Com experiência, poderá também vender seu conhecimento em formato de livros, cursos e consultorias — só não vá ser mais um guru chato, eim!
Não existe uma regulamentação para a profissão de redator, mas são comuns profissionais formados em Publicidade, Letras e Comunicação Social, por exemplo. Não há, porém, nenhum pré-requisito formal.
Na verdade, a melhor forma de se qualificar é por meio de cursos livres, pois eles são muito mais dinâmicos e atualizados. Cursos online mesmo.
Entretanto, entendo que isso é apenas a base, os pilares para quem está totalmente por fora. Para trabalhar com redação para a web, você precisa acompanhar as mudanças do mercado, ficar de olho nas novidades e ser fera em algumas áreas estratégicas, como:
SEO (otimização para motores de busca);
Marketing de Conteúdo;
Copywriting;
Storytelling;
User Experience (UX).
Essas áreas são úteis em praticamente todos os segmentos citados no tópico anterior, especialmente a primeira, o SEO.
Talvez você ache estranho eu não ter citado nada relacionado à escrita propriamente ou à gramática, mas acho que isso já é algo subentendido, né?
Um redator precisa ser bom na escrita, mas não necessariamente excepcional. Escrever textos para a web é completamente diferente de escrever trabalhos literários, portanto, entenda que seu objetivo aqui não é ser um bom escritor, mas um bom profissional de comunicação.
Dentro das empresas, é exatamente esse o perfil esperado de um redator. Na estrada freelancer, por outro lado, é até possível desfrutar de maior liberdade selecionando clientes que te permitem desenvolver melhor a sua escrita ou, como dito, investindo em seus próprios empreendimentos.
Alerto que ao optar por atuar como redator freelancer ou empreender, será preciso ter um CNPJ para emitir notas fiscais (praticamente todas as empresas sérias exigem isso). A maioria dos redatores são MEI (Microempreendedores Individuais) ou ME (Microempresários).
Apesar da burocracia, a vida de freela dá a oportunidade de desfrutarmos de maior flexibilidade, não apenas na atuação, mas também no tempo. Só não pense que isso é sempre algo bom.
Como é a vida de freela? Você tem mais tempo para você?
Qual é o salário de um redator freelancer? Ainda tem muita demanda? Como é a carreira? Todas essas perguntas são muito comuns na web, mas você já parou para pensar em como é o fim do dia para esse tipo de profissional?
Os olhos doem, as costas doem, as mãos doem, a cabeça doí… Se a ergonomia estiver em dia, as dores até somem, mas a sensação de esgotamento visual e mental é inevitável.
Um dia inteiro disparando neurônios (células que a natureza levou bilhões de anos para conceber) e se aprofundando em assuntos que não te interessam, não te fazem bem ou que pouco importam para você.
Os livros que costumavam ser uma boa companhia no fim da noite parecem esforço demais. Ouvir música? Pode ser, mas só algo bem calmo para não piorar ainda mais a cabeça. E é bom não pensar muito também, pois “pesa”. O mais fácil é se render à TV e a um petisco — péssima escolha!
E amanhã, quem sabe? Terei trabalho ou poderei dormir até mais tarde? Ganhar dinheiro é ótimo, mas é claro que desejo a segunda opção. Essa é a vida do freelancer. Flexibilidade! Flexibilidade?
O redator freelancer tem rotina “flexível”?
Há dias que acordamos animados, inspirados, cheios de energia para trabalhar. É quando o tolo dentro de nós resolve dar as caras. Mas isso é raro, e, quando ele vem, muitas vezes, nada aparece. Energia desperdiçada.
No dia seguinte, o desânimo vem dobrado e, como uma penitência, dezenas de “jobs”, “tarefas” e “oportunidades” resolvem brotar de todos os lugares. E precisamos pegá-las. É a vida, precisamos trabalhar.
O cliente tem compromissos, os intermediários também, óbvio. O freelancer não tem agenda, ele é “flexível”, está sempre disponível!
Para quem está “acima” de você, pouco importa. Somos apenas uma impressora de conteúdo, uma espécie de ChatGPT orgânico. Aperta-se um botão e em um ou dois dias lá está o conteúdo novinho em folha.
Como tudo é quase sempre remoto e intermediado por planilhas e softwares, eles não fazem ideia. É como se estivessem lidando com uma máquina mesmo.
As poucas mensagens trocadas são migalhas de humanização. Há dias que até torcemos para que algo dê errado, só para precisar entrar em contato e lembrá-los de que não somos robôs.
Não. Não somos robôs! Somos freelancers, “cavaleiros mercenários” tentando sobreviver a um trabalho que nasceu precarizado.
Por que não tentar uma vaga CLT como redator ou empreender?
Se ser um redator freelancer autônomo não é muito a sua cara, podemos analisar outras possibilidades para entrar no grande mercado das palavras.
Carteira assinada?
Muitas pessoas valorizam o trabalho CLT, especialmente quem já passou por apertos como autônomo. Entretanto, se você busca um emprego como redator, é bom ficar atento.
Não posso opinar sobre outras profissões, mas como redator, designer ou qualquer outra área voltada à produção de conteúdo, o que você encontrará frequentemente são salários baixíssimos, quase nenhum benefício, excesso de trabalho e colegas exaustos, além de ter todo o seu tempo e esforço vinculados a uma marca que não é sua.
É tão ruim quanto ser terceirizado. Os clientes não são seus, são da empresa que o contrata. Seja como funcionário, seja como redator freelancer, você é só um fantasma por trás dos e-mails e das plataformas — e, também, dos textos, se você for um ghost writer.
É claro que isso não é uma regra. Mas o fato é que boas vagas para redator (bem remuneradas e com bons planos de carreira) não são muitas, infelizmente.
Empreender?
Incentivo você a investir em projetos pessoais, como um blog ou uma loja do seu interesse, onde poderá aplicar o seu trabalho como redator, testar coisas novas e ganhar dinheiro por conta própria (monetizando páginas com links ou vendendo produtos, por exemplo).
Entretanto, entre os redatores com alguma experiência, é muito comum surgir o interesse de expandir a sua atuação. Ou seja, contratar outros redatores freelancers para terceirizar tarefas e conseguir pegar mais projetos. E assim, mais uma agência ou plataforma começa a germinar.
Sem problemas! Se você pensa em criar mais uma agência ou mais uma plataforma de serviços e se lançar no mercado, pode ser que dê certo. Você tem capital para isso? Tem perfil de gestor? Vá em frente. Mas…
“Pense diferente”.
Particularmente, não gosto de intermediários. E não digo isso só pelas péssimas condições de trabalho que geralmente oferecem (tanto para internos quanto para prestadores de serviço).
Ao longo da minha trajetória, percebi que empresas que investem em equipes internas ou contratam profissionais diretamente têm resultados melhores. Não estou puxando sardinha para o meu lado, isso é real.
Sem intermediários sugando a maior parte dos custos, o investimento do cliente é muito menor. Isso permite pagamentos mais justos ao produtor (embora muitas vezes seja preciso cobrar por isso), além de a comunicação ser direta, o que torna as negociações e o planejamento mais franco, humano e eficaz.
É claro que precisamos de agências e plataformas. Elas são boas “escolas” para quem está começando como redator ― sim, você provavelmente vai precisar começar por elas ― e muito práticas para gestores que têm muito orçamento e pouca paciência para gerenciar uma equipe.
Qual é a melhor forma de crescer na carreira de redator?
Se você cobra uma valor relativamente baixo (considerando um iniciante) e logo preenche toda as suas horas de trabalho reservadas na semana, sua carreira de redator rapidamente atinge um “teto” que, muitas vezes, é difícil de romper.
Se propor aumentar o valor do seu serviço, é provável que a maioria dos clientes não concorde. Logo, será preciso conseguir novos, pedindo outro preço, ou aprender novas funções e prestar outros serviços.
Em minha experiência, e observando muitos colegas que se deram bem, porém, vejo que uma das melhores formas de crescer na profissão de redator é se aprimorar em uma área e segmentar o seu trabalho em um nicho lucrativo (como textos técnicos para sites de saúde, tecnologia ou investimentos, por exemplo). Isso pode, inclusive, dar muito mais lucro do que expandir a sua operação.
Como um redator especialista, você poderá:
cobrar mais (por um serviço menos disponível e de alto padrão);
se organizar melhor (pois terá poucos e bons clientes);
e ainda direcionar a sua profissão para uma área do seu interesse.
Não estou dizendo que isso é algo garantido, ok? É uma sugestão, um caminho entre vários outros. Entretanto, digo que é uma ótima escolha, especialmente se você já tem um diploma em alguma área e tem interesse em vinculá-lo à sua profissão de redator.
Para começar, porém, o ideal é ganhar experiência com pequenos trabalhos terceirizados e deixar para se especializar e se posicionar mais tarde. Se já começar cobrando valores altos e não entregar um bom serviço e um bom atendimento, você corre o risco de perder bons clientes e enfraquecer a sua marca pessoal.
Cresça naturalmente, aprimorando e expandindo não apenas o seu trabalho, mas também as suas habilidades de comunicação, gestão e negociação. Você vai precisar de todas elas!
Como melhorar os seus resultados como redator freelancer?
Para você que pretende seguir na redação como prestador ou prestadora de serviço, tenho algumas dicas que podem te ajudar a viver um pouco melhor. Anote ai.
1. Valorize o seu trabalho
Lembre-se que seu trabalho não se resume ao trabalho que você faz!
Cobre um valor justo, um valor que remunere o seu trabalho e também cubra suas despesas (conta de luz, internet e coworking, por exemplo) e seus investimentos nesse serviço (como prestação do computador, cursos e eventos).
Os clientes não adoram te chamar de empreendedor? Pois, então, aja e COBRE como uma empresa! Afinal de contas, você é mesmo!
“Empreendedor”
Não sabe quanto cobrar e quer um número?
Mesmo que seja iniciante, penso queR$ 0,10 por palavra é o mínimo a se cobrar na redação de textos para a internet. Mesmo assim, a maioria das plataformas e agências vão te oferecer algo em torno de R$0,05 por palavra, entregando uma assistência maior ao redator como parte do pagamento — e olhe lá!
No começo, sem contatos ou experiência, você vai precisar ceder. Entretanto, destaco isso para deixar claro que é preciso procurar clientes por conta própria o quanto antes, propondo valores mais justos.
Treine bastante dentro das plataformas, mas não deixe de caminhar com as próprias pernas e conquistar os seus próprios projetos, ok?
2. Não faça “plantão”
Não aceite trabalhar de plantão se você não é pago para isso. Seu tempo é muito valioso para gastá-lo esperando por tarefas esporádicas com prazos miúdos e pagamentos tardios.
Um trabalho profissional requer agenda, no mínimo, mensal! Você tem a necessidade e o direito de saber, com antecedência, como vai trabalhar ao longo de um período, bem como quando será pago por isso.
3. Não aja como um varejista
É engraçado, mas, ao longo dos anos, parece que quanto menos clientes eu tenho, mais eu faturo mensalmente. Isso parece contraditório, a princípio, mas não é.
Lembre-se que o redator é um prestador de serviços, não um varejista! Entre outras coisas, isso significa que você não deve baixar o seu preço para conseguir montar uma longa lista de clientes, até porque cada cliente novo exigirá mais pesquisas, reuniões, ajustes e negociações.
Sua agenda será um caos, assim como sua caixa de entrada e seu WhatsApp. E digo mais: preços baixos e serviços avulsos atraem profissionais e organizações questionáveis. Os projetos não duram e, se você pedir, a maioria dos contratantes não vai querer te pagar mais!
É muito mais vantajoso atender poucas empresas sérias que te pagam um valor justo e que garantem demanda no longo prazo do que vender o seu trabalho como produtos em liquidação.
4. Não seja tão “freela”
Não devemos ser meros “freelas”, no sentido mais pejorativo possível da palavra. Digo, alguém que não tem agenda fixa e depende de “oportunidades” para viver.
Acredite, isso é um veneno que vai agravar a sua ansiedade e também ferrar com a sua produtividade — o que, por sinal, gera mais ansiedade.
Sou um freelancer. Todos pensam que estou desempregado.
Evite projetos esporádicos ou serviços avulsos (um texto aqui, uma revisão ali). O ideal é determinar um investimento mínimo para contratação (pacotes de serviço, por exemplo) ou firmar contratos de médio e longo prazo.
Você só conseguirá se estabilizar e ter uma vida minimamente tranquila quando começar a fazer parcerias sólidas, com tempo de trabalho, prazos e pagamentos definidos.
5. Honre o seu descanso
Quando começamos a ganhar algum dinheiro na internet, a tentação de trabalhar todos os dias é grande. Até porque isso é perfeitamente possível com a demanda atual ― embora seja um erro fatal.
Quem já atua há algum tempo na internet sabe disso, mas quem pretende se tornar um redator freelancer precisa saber que esse tipo de serviço nos consome muito.
Além de “fritar os miolos” diariamente, o simples fato de ficar a maior parte dos dias sentado pode acabar de vez com a suposta “renda extra” que acha que está fazendo.
Você é livre para montar o seu dia a dia como desejar. Trabalhar de manhã, à noite, sábado ou domingo, folgar na segunda, você decide.
Procure, no entanto, manter uma rotina fixa com boas horas de sono e descanso. Não trabalhe mais de dois turnos por dia (manhã, tarde e noite, por exemplo) e reserve, pelo menos, dois dias de folga semanais.
Não digo isso porque você merece, mas porque você precisa! É fundamental descansar, comer bem, se exercitar, distrair, viver!
Você não é o ChatGPT, é muito melhor do que ele, mas precisa se cuidar para não acabar exausto e criando textos tão enfadonhos quanto os dele.
6. Escreva sobre o que você acredita
Essa dica é mais complicada para quem está começando e ainda não tem muita bagagem no portfólio, nem bons contatos na agenda.
Até construir uma reputação e se segmentar, você vai precisar escrever muito sobre coisas que não te interessam. Faz parte, e não é algo totalmente ruim.
Você pode descobrir muitas coisas novas nesse processo, coisas que nunca se interessou antes e passar a gostar bastante.
Gradualmente, vá abandonando os trabalhos aleatórios e se focando nos serviços que realmente vê valor, importância e significado. Faça cursos relacionados, crie um portfólio nessa direção, conheça profissionais e empresas da área. Se jogue!
O serviço só fica leve, emocionante e gratificante quando o valor adquirido vai além do pagamento.
A internet está repleta de blogs e sites dos mais diversos assuntos. Não deixe de procurar também.
Encontrou um projeto legal? Mande uma mensagem, diga que é redator profissional, que gostou do trabalho e que gostaria de contribuir. Tem ideias na cabeça? Crie seu próprio projeto. Tente!
Quanto ganha um redator freelancer?
Para pessoas como eu — e creio que você faça parte —, ganhar a vida com a escrita é algo muito gratificante. Mas não é só uma questão de interesse e devoção.
É possível ter bons ganhos e levar uma vida financeira e pessoal tranquila sendo redator freelancer. Entretanto, isso obviamente não acontece da noite para o dia.
Comecei a trabalhar como redator profissional na Rock Content em meados de 2017 e ganhava R$25 para escrever textos com cerca de 500 palavras (R$0,05/palavra). Nos melhores dias, conseguia algum artigo de R$50 ou R$150, mas a maioria era de R$25 mesmo.
Hoje, cobro dos meus clientes algo entre R$0,20 e R$0,30 por palavra, mas com outros serviços anexados e parte da demanda terceirizada. Entretanto, em outros modelos de prestação de serviço, como publieditoriais, já cheguei a receber mais de R$2000 por um único artigo de mil palavras!
Outras fontes de receita que tenho são os anúncios nos meus blogs (o Google Adsense me paga por cliques e visualizações) e links de afiliados, que geram comissões sobre vendas realizadas a partir do meu conteúdo. Essa é uma fonte de renda interessante, pois é passiva, ou seja, o dinheiro é gerado diariamente de forma quase automática, sem a necessidade de trabalhar efetivamente para receber (embora seja necessário manter um ritmo de publicações e atualizações).
Sendo bem realista, porém, acredito que os redatores freelancers ganham, em média, algo entre R$ 2.000 a R$ 3.000 por mês, com base nas pesquisas sobre o assunto e os dados disponibilizados por sites especializados.
Em vagas CLT, a variação dos pagamentos é gigante, mas a média não foge muito disso. Você encontrará desde cargos iniciais, que pagam um único salário e alguns benefícios, a cargos sênior com salários por volta dos R$ 7.000 por mês.
Você pode achar que a média de faturamento de um redator freelancer é baixa, mas com alguma organização, experiência e consistência é possível ganhar muito mais do que isso. O que limita o profissional, em boa parte dos casos, é a sua disponibilidade, a sua disposição e, principalmente, a sua saúde, pois a procura ainda é grande atualmente e você também pode faturar bastante com projetos pessoais, como blogs, lojas e infoprodutos.
Há muitas formas de aumentar seus rendimentos. Só não podemos deixar que isso prejudique o nosso bem-estar.
No início pode parecer fácil tolerar demandas e pagamentos incertos, noites mal dormidas e dias e dias sentado na frente do computador. Mas uma hora a conta chega: fadiga, isolamento, irritação, ansiedade, depressão e até problemas de saúde menos conhecidos, mas que têm se tornado cada vez mais comuns, como disfunção temporomandibular e zumbido no ouvido.
Para dar certo, portanto, é preciso organizar o seu trabalho e a sua vida pessoal.
Afinal, vale a pena ser redator freelancer?
Sim, vale a pena! Você aprende muito, tem certa flexibilidade e fica fera na escrita — se isso é importante pra você. Especialmente se você tem simpatia pela leitura e pela escrita, essa é uma grande oportunidade de fazer uma renda extra ou construir uma carreira enriquecedora.
Para ter qualidade de vida e ser valorizado, porém, vai precisar se impor, cobrar seus direitos, respeitar seus limites e cuidar da sua saúde. Algo que, na prática, significa dizer não para muita gente e dizer sim para bons hábitos, responsabilidades e desafios.
Não estou dizendo isso como um guru que supostamente chegou lá. Também preciso melhorar muita coisa. É um processo. Vamos aprendendo e melhorando, dia após dia.
A profissão de redator sobreviverá por muito tempo?
Pensando nos caminhos que bombam atualmente, como o Inbound Marketing, o Copywriting e o UX Writing, é difícil saber até quando a profissão de redator sobreviverá.
E o problema não é o ChatGPT e as novas plataformas que geram conteúdos automaticamente. Essas ferramentas estão mudando as coisas, mas ainda é muito cedo para dizer que elas vão substituir massas de redatores, designers, programadores e outros profissionais.
É apenas uma impressão pessoal, claro, mas é fato que a demanda ainda é grande. Além disso, como redator freelancer, você também pode ganhar dinheiro com seus próprios projetos, como disse várias vezes.
A principal questão é que o trabalho dos redatores é cada vez mais centrado em estratégias de marketing muito específicas. Além disso, áreas importantes, como o SEO, estão à mercê dos caprichos de grandes corporações, como o Google e a Microsoft.
Atualmente, podemos dizer que a redação ainda oferece a possibilidade de uma carreira sólida na internet. Entretanto, assim como em várias outras áreas da tecnologia, o futuro é incerto.
Por que tão poucos redatores persistem?
Infelizmente (ou não), porém, a maioria dos redatores abandona a área em pouco tempo, ou passa a exercê-la de maneira esporádica.
Isso acontece, primeiramente, porque a profissão não exige muitas qualificações para entrada e acaba servindo de “bico” para muita gente ociosa ou que precisa de uma renda extra.
Mas não é só isso. Como discuti anteriormente, muitos acreditam que ser redator é “simplesmente” escrever, e acabam se aventurando na área com a expectativa de fazer dinheiro fácil. Esses são os primeiros a pular do navio— e os que mais nos respeitam depois.
Os que encaram a profissão como uma carreira séria— se qualificam, se atualizam, se promovem e resistem às intempéries da área— são poucos. Entretanto, são esses os mais valorizados e os mais bem pagos no longo prazo, obviamente.
Independentemente do caminho trilhado, não há como fechar os olhos para as rápidas transformações da internet, da tecnologia e das estratégias de divulgação.
Não se esqueça, porém, queestamos em um país no qual o interesse, a disposição e a técnica para a leitura e para a escrita são raridades, e o mundo sempre precisará dessas habilidades em todos os setores.
Capa do livro do Homer: “Como ler um livro na cama”
As coisas vão mudar e o futuro é imprevisível, mas garanto que se escolher ser um redator ou redatora freelancer, o seu trabalho não será em vão.
Mesmo que seja obrigado a mudar de profissão — e a maioria de nós, redatores ou não, vai precisar, acredite —, você levará com você um diferencial como nenhum outro.
E aí? Ainda pensa em ser redator freelancer? Aqui no blog e no meu Instagram, você confere conteúdos sobre escrita, SEO, criação de sites, ergonomia e outras utilidades para profissionais da web. Sempre bom fazer novos colegas de profissão também. Qualquer coisa, é só chamar!
O mal uso de palavras como “mesmo”, “assertividade” e “independente”, bem como o excesso de neologismos e redundâncias, são erros de português comuns cometidos por quem quer falar “bonito”, mas acaba fazendo feio na gramática.
Você é do tipo que gosta de dar uma “enfeitada” nas palavras para parecer mais formal ou profissional? Este texto é pra você!
Nas próximas linhas, listo os principais erros de português cometidos por quem ainda não entendeu muito bem o que, realmente, significa “falar bonito”.
1. O tal do “mesmo”
A palavra mesmo é um pronome demonstrativo, mas mesmo assim o termo é frequentemente utilizado no lugar de pronomes pessoais, como “ele” e “ela”, e possessivos, como “seu” ou “dela”. Percebemos isso em discursos, entrevistas e postagens de muita gente que tenta forçar uma certa formalidade.
Veja um exemplo:
“Antes de comprar um produto, o consumidor deve avaliar a real necessidade do mesmo.”
Pode soar bonito ou “diplomático” por um instante, mas se você repetir a frase algumas vezes na cabeça vai perceber que, além de incorreta, essa construção é de muito mau gosto.
A popularização desse erro de português, acredite ou não, está na legislação paulistana. A lei municipal 9502/97 tornou obrigatória a fixação de placas de advertência na entrada dos elevadores com o intuito de evitar acidentes, mas não teve o mesmo cuidado com a língua portuguesa. Confira o trecho em que o erro aparece:
Artigo 1º – Os prédios comerciais, edifícios de apartamentos, escritórios e outros estabelecimentos congêneres, públicos ou particulares, dotados de elevadores, ficam obrigados a fixar junto às portas externas desses equipamentos plaquetas de advertência aos usuários, com os seguintes dizeres: “Aviso aos passageiros: antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar.”
A palavra “mesmo” pode ser empregada de diversas formas em uma frase. Observe alguns exemplos de uso correto:
“Todo dia, a mesma rotina.”;
“Mesmo que fosse capaz, não faria.”;
“Gostaria de sentir o mesmo que ela.”;
“Este suco tem o mesmo gosto da fruta.”;
“Dá no mesmo ir de carro ou de ônibus.”;
“Vou trabalhar aqui mesmo.”;
“O ser humano, por si mesmo, não é capaz de resolver todos os seus conflitos.”.
Agora, alguns exemplos de uso indevido do “mesmo” (sem trocadilhos) seguidos por suas respectivas correções:
Errado: “É fundamental compreender a ciência e os pilares da mesma.”;
Correto: “É fundamental compreender a ciência e seus pilares.”.
Errado: “Antes de comprar um produto, o cliente deve avaliar a real necessidade do mesmo.”;
Correto: “Antes de comprar um produto, o cliente deve avaliar a sua real necessidade.”.
Errado: “Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar.”;
Correto: “Antes de entrar no elevador, verifique se ele encontra-se parado neste andar.”;
Alternativa também correta: “Antes de entrar no elevador, verifique se a cabine encontra-se parada neste andar.”.
Sendo assim, você não deve usar “mesmo” para evitar repetir palavras ditas na mesma frase ou trecho. Nesses casos, você deve utilizar pronomes possessivos (como “seu” ou “sua”) e pessoais (como “ele” ou “ela”) ou um sinônimo.
2. A tão cobiçada “assertividade”
Arrisco dizer que essa é a palavra preferida da turma do RH. O problema é que a tal “assertividade”, que tanto se prega em palestras e posts de empresas de gestão de pessoas, tem um significado bem diferente do que os gurus da internet acreditam. Vejamos, então, o que o dicionário tem a dizer:
Significado de Assertividade: (1) Substantivo feminino; característica de assertivo, do que ou de quem afirma algo de maneira categórica, com firmeza; objetividade. (2) Psicologia: característica de quem se expressa com segurança, demonstrando decisão em suas palavras; autoconfiança.
Se você ler dois ou três posts de qualquer blog de empresas de recrutamento, desenvolvimento pessoal ou software de gestão, notará imediatamente que há algo errado no uso da palavra assertividade e suas variações. É um erro de português comum nesse tipo de contexto.
Muitas pessoas associam a palavra “assertividade” (com “ss”) com a palavra “acerto” (com “c”). Por essa lógica, ser assertivo seria tomar decisões certas ou com maiores probabilidades de acerto. Que gestor não se interessaria por isso?
O fato é que não é bem assim. Embora a definição da psicologia se aproxime dos “mantras” da galera da motivação, acredito que, como bons oradores e escritores, devemos evitar palavras capazes de gerar interpretações ambíguas. Assertividade é uma delas.
Se você diz que um líder é assertivo, por exemplo, creio que a maioria das pessoas entenderá que ele é confiável, firme e toma decisões ponderadas. Entretanto, os mais afiados no português podem interpretá-lo como rígido, cabeça dura ou inflexível.
Um exemplo polêmico para você praticar e refletir:
“Bolsonaro foi um presidente assertivo.”
Observe que essa afirmação pode agradar tanto apoiadores quanto críticos do ex-presidente, a depender da maneira como a palavra “assertivo” é interpretada. Na dúvida, portanto, não use.
3. Grande maioria, pequenos detalhes e outras redundâncias
Eis um pequeno detalhe presente na grande maioria das reportagens de jornais. Até mesmo entre redatores profissionais, há uma mania boba de encher frases de palavras com objetivo de conferir ênfase ao que é dito.
Poxa, se é detalhe, supõe-se que é pequeno. Se é maioria, obviamente é a maior parte de algo. Para que, então, encher seu ouvinte ou leitor com palavras redundantes?
Tá. Isso não é exatamente um erro de português e até pode ser utilizado, desde que não se repita com frequência. Não estou aqui para definir estilos.
Pessoalmente, porém, acredito que uma das coisas que mais enriquece um texto é justamente a economia do escritor nas palavras. Um dos melhores exercícios que um redator ou escritor profissional pode fazer é tentar dizer o máximo com o mínimo de palavras possível, sem abrir mão da norma culta.
Convenhamos que há poucas coisas tão irritantes do que aquele famoso “texto de açougueiro” (pura “encheção de linguiça”). Se for pra enrolar, melhor não dizer ou escrever nada. Seu público vai fugir num instante.
4. Independentemente e independente
Explicando sem rodeios: independente é um adjetivo, independentemente, um advérbio.
Quem é fera na gramática já entendeu. Quem não é, pelo menos notou que as palavras têm aplicações diferentes e, por isso, não devem ser usadas livremente, como se a escolha fosse opcional. Isso é um erro de português comum, mas que rapidamente se supera analisando exemplos.
“Independente” é um adjetivo que se associa a um substantivo ou termo com valor de substantivo. Em outras palavras, isso significa que independente é sempre algo ou alguém. Veja:
“Em 1822, o Brasil declarou-se independente.”;
“Maria decidiu ter a sua própria casa e se tornar uma mulher independente.”;
“A nossa empresa atua de maneira independente.”.
Percebeu que a palavra “independente” sempre se refere à independência de uma pessoa, um objeto, um país ou qualquer outro indivíduo ou coisa?
A palavra “independentemente”, por sua vez, é um advérbio que modifica um verbo ou uma oração completa. Observe os exemplos:
“Independentemente da minha vontade, terminarei esta leitura.”;
“Votarei em quem acredito, independentemente da opinião dos meus familiares.“;
“Nossa empresa lucrará o mesmo, independentemente disso“.
Percebeu que independentemente é equivalente a locuções como “sem levar em conta”, “a despeito de” e “não obstante”?
Uma coisa pode ser independente, independentemente de qualquer coisa.
5. Empreender, perfomar, empoderar e outros neologismos
Estes termos não são proibidos pela norma culta, até porque muitos deles, de tão utilizados, já se tornaram parte do nosso vocabulário padrão. A dica aqui é não exagerar.
Palavras como empreendedorismo (derivada do inglês “entrepreneurship”) e “performar” (derivada do verbo inglês “to perform”) caíram no gosto das empresas moderninhas. Parece haver um consenso na turma das startups que palavras em inglês vendem mais. Não é à toa que seus cargos tem sempre nomes pomposos em inglês.
Eu não sou especialista, mas isso me parece um reflexo de uma visão cultural negativa que, infelizmente, persiste: a ideia de que tudo que é do “norte” é melhor, mais interessante ou mais respeitável. Será?
Independentemente disso — agora você já sabe como usar! —, o fato é que o excesso de neologismos, na realidade, tira a credibilidade do seu discurso ou texto. Dá impressão de que seu repertório de palavras é escasso ou que você está “enfeitando” para fazer algo parecer melhor do que é.
Pior quando essas palavras são empregadas de forma distorcida. Um bom exemplo é o verbo “empoderar” que, frequentemente, é associado a movimentos sociais, como o empoderamento feminino.
“Empoderar” significa conceder poder a si ou a alguém. Dentro do contexto do empoderamento feminino, porém, exclui-se a ideia de transferência de poder, ou seja, trata-se da mulher conferir poder a si própria.
Soa estranho e incorreto dizer que uma empresa luta para empoderar suas colaboradoras, por exemplo, pois esta construção sugere que o “poder” precisa ser transferido da empresa para a mulher. A frase, portanto, distorce a visão original do termo sobre o qual faz referência e pode ser interpretada como imposição ou autoritarismo.
A conclusão deste texto, portanto, é que palavras simples e usuais, quando empregadas de maneira adequada, conferem muito mais formalidade, profissionalismo e credibilidade aos argumentos.
Os erros de português que citei são muito comuns e, depois desta leitura, você certamente vai encontrá-los com muito mais frequência. A gramática é um estudo constante, não há como fugir. O único jeito de falar bonito mesmo é revisar e se atualizar sempre.
Vários fatores contribuem para o crescimento das fake news sobre saúde e ciência. E os charlatões não são os únicos culpados pela propagação de desinformação. Aparentemente, a ciência ainda não fez as pazes com o público, nem com o jornalismo.
Elas estão por toda parte: em reportagens, documentários, vídeos, tweets, posts, memes e todo o material que se pode imaginar. Sempre trazendo revelações chocantes e incendiando debates polarizados, do congresso nacional aos grupos de família no WhatsApp.
Já se foi o tempo em que esse tipo de conteúdo era quase sempre obra de sites caça-cliques e vendedores picaretas. Estamos diante de uma verdadeira indústria de desinformação. Um esforço sistematizado de empresas e profissionais de altíssima competência a serviço de pessoas e organizações sem qualquer compromisso com a verdade.
O problema não é novo, mas ganhou maior apelo durante a pandemia. A rapidez com que dados e notícias falsas afetaram decisões individuais, políticas e socioeconômicas no último ano nos dá uma dimensão do poder da informação no mundo contemporâneo.
Mas o que torna um conteúdo falso tão atraente?
O problema é muito complexo e passa por diversas áreas, da educação à justiça. Entretanto, no que diz respeito à criação de materiais de divulgação de saúde e ciência e o comportamento do público na internet, 5 fatores certamente contribuem para o crescimento das fake news.
Você confere cada um deles em detalhes, a seguir!
1. Dados reais fora de contexto
Vamos começar com um exercício simples. O que você sente ao ler um título como este?
“Brasil deve registrar até 625 mil casos novos de câncer até 2022.”
Parece algo terrível, não é? Mas, na realidade, esse título nos deve muita coisa.
O número estampado na matéria foi retirado da Estimativa 2020 – Incidência de Câncer no Brasil, publicação lançada pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer) que traz o número esperado de casos de câncer por ano durante o triênio 2020-2022.
Embora o número seja grande, o INCA esclarece que houve uma melhoria na qualidade dos registros, na manutenção das séries históricas e no cálculo das estimativas. Além disso, por se tratar de uma doença crônica, não são esperadas mudanças significativas em pequenos períodos — os dados tratam de casos (diagnósticos), não de mortes por câncer.
Outro ponto destacado é que a estimativa reflete quadros socioeconômicos. A prevalência do câncer de mama entre as mulheres e do câncer de próstata entre os homens, por exemplo, está ligada ao aumento da expectativa de vida.
Trouxe esse exemplo logo no início para demonstrar como podemos ser enganados por um título, mesmo quando as informações divulgadas são reais e o conteúdo é informativo.
É papel do produtor chamar a atenção do público, mas ele deve ter em mente que nem todas as pessoas se darão ao trabalho de ler o artigo totalmente e esclarecer as pontas soltas do título.
Tendo constatado que poucos checarão a fonte do conteúdo, um charlatão sente-se livre para fazer correlações sem sentido — como atrelar a vacinação em massa contra a COVID-19 ao número de diagnósticos de câncer nos anos seguintes, por exemplo.
Além de confundir as pessoas e desencorajar atitudes essenciais, essas teorias afetam a credibilidade de instituições importantes. E isso é apenas a ponta do iceberg.
A indústria das fake news nem sempre precisa se dar ao trabalho de distorcer informações relevantes. Até grandes portais de notícias consolidados muitas vezes fazem questão de propagar desinformações.
2. Promoção de estudos não confiáveis
Observe o título publicado no dia 21 de janeiro de 2021 em um dos maiores portais de notícias do país.
O estudo em questão trata-se de uma metanálise, uma revisão em que dados de vários estudos são integrados estatisticamente para se obter um resultado comum.
O problema é que o trabalho não respeita praticamente nenhum dos protocolos previstos para esse tipo de revisão.
Os próprios autores esclarecem no texto original que a pesquisa é preliminar e requer novos estudos para confirmar suas inferências, pois contempla trabalhos não publicados, bem como ensaios com variações importantes nos métodos, nas dosagens e no período observado.
Em outras palavras, eles simplesmente misturaram dados desconexos para obter um resultado falsamente promissor. No entanto, esse esclarecimento só é citado no fim do texto do site.
Isso não impediu, entretanto, que as (óbvias) intenções do produtor do conteúdo se realizassem.
A maioria das pessoas que receberam o link desse conteúdo nas páginas de resultado do Google ou nas redes sociais provavelmente só leu o título. Entre os que acessaram, grande parte certamente compartilhou o link muito antes de terminar a leitura, e vários daqueles que receberam o link fizeram o mesmo.
Nesse sentido, não demorou muito para que a única informação relevante fosse retirada do conteúdo original e a desinformação fosse empacotada em um formato ainda mais viral.
Dado o alcance do veículo em que foi divulgado, é uma questão de minutos (minutos!) para que o falso resultado esteja circulando em blogs, redes sociais e grupos de WhatsApp de todas as regiões do país.
Mas não é só isso. Existem vários elementos nesse conteúdo que fortalecem o seu poder persuasivo. É o que você confere nos próximos itens.
3. Comportamento de leitura escaneado
É muita informação! Cascatas de conteúdo despejadas pelas redes sociais, buscadores, serviços de e-mail e blogs (como este, inclusive).
Para dar conta do recado, as pessoas tendem a adotar um comportamento de leitura apressado. Agem como um esfomeado tentando comer tudo de uma só vez, mal sentindo o sabor do que põe na boca. E o pior é que esse “banquete” está repleto de pratos velhos e estragados.
Prender a atenção das pessoas é um feito e tanto nos dias de hoje. A maioria simplesmente “escanea” as informações em busca de trechos que as interessam.
Vídeos e áudios são frequentemente acelerados ou saltados. Nos textos, o foco dos usuários é o topo da página, enquanto as informações seguintes são apenas “varridas” de maneira superficial.
Utilizando uma ferramenta de Marketing Digital que destaca as áreas da página que recebem mais atenção das pessoas em um período, frequentemente encontramos um padrão em “F” na maioria dos sites.
O resultado obtido é geralmente semelhante às imagens abaixo.
Essas imagens foram retiradas do estudo F-Shaped Pattern of Reading on the Web: Misunderstood, But Still Relevant (Even on Mobile), realizado pelo Nielsen Norman Group, que também destaca outros padrões de leitura.
De maneira geral, as pessoas tendem a absorver melhor o que está no topo e cada vez menos o que vem depois.
Isso não é nenhuma novidade para um produtor de conteúdo, e é algo que precisa ser trabalhado com sabedoria e ética. Todo redator que escreve textos para a web sabe (ou deveria saber) que precisa conquistar o leitor logo no título ou na introdução. É a maior oportunidade que você tem de ter, pelo menos, um intertítulo lido.
Entretanto, esse nem sempre é o interesse do autor. Os charlatões também sabem se aproveitar dos apressadinhos. É o caso do artigo citado no tópico anterior.
Os editores fazem de tudo para que você saia da página o mais rápido possível:
o título traz toda a (des)informação que um charlatão ou negacionista necessita;
a introdução é breve e traz termos técnicos para aumentar a credibilidade da afirmação do título;
e os (falaciosos) resumos abaixo saciam qualquer curiosidade que o leitor pode vir a ter.
A informação é construída dessa forma para que o texto seja compartilhado imediatamente, antes que o único trecho realmente importante seja descoberto: aquele que comprova que o tal estudo não significa absolutamente nada.
Embora os produtores do conteúdo não sejam nada anfitriões com os usuários do site, todas as nuances do texto original são apresentadas — disponibilizam até uma opção de áudio que passará despercebida por quase todos os usuários. Dessa forma, a falsa conclusão científica é propagada e seus autores se isentam da acusação de fake news.
E tem mais! Os textos geralmente utilizam termos persuasivos para desarmar ainda mais o leitor: os gatilhos mentais.
4. Uso indevido de gatilhos mentais
Se você é um profissional de Publicidade, Marketing de Digital ou Copywriting sabe muito bem do que estou falando.
Os “gatilhos” podem ser imagens, sons, cenários ou expressões capazes de gerar percepções e emoções que estimulam as pessoas a tomarem uma decisão.
São clássicos instrumentos de persuasão e estão por toda a parte: nos comerciais, nos layouts e funções dos aplicativos, nas mensagens de e-mail, nos artigos da internet (inclusive neste), nos rótulos de produtos, na argumentação de vendedores e até no nosso trato com as pessoas. Você certamente os utiliza e nem se dá conta disso.
No que se refere aos textos de divulgação científica, porém, dois gatilhos são frequentemente utilizados: o argumento de autoridades e os números.
“Gatilhos” de autoridade
Nas colunas de saúde e ciência, os gatilhos de autoridade se apresentam em citações de personalidades influentes ou instituições de prestígio, e também nas famosas expressões “comprovado cientificamente”, “dizem cientistas”, “diz ciência” etc.
Esses termos são capazes de aumentar a confiança e o poder de influência das informações, o que é natural dado o papel da ciência na sociedade moderna. O problema é que eles são constantemente empregados em contextos inadequados.
Muito do que é supostamente “comprovado pela ciência” na internet, simplesmente não é. E o tal “dizem os cientistas” muitas vezes diz respeito apenas à opinião de pesquisadores e não a evidências demonstradas.
“Gatilhos” em números
Números são frequentemente utilizados para criar uma sensação de tecnicismo e precisão — mesmo quando eles não representam nada (como é o caso do estudo abordado há pouco). Não por acaso, também os encontramos em todos os lugares: nos títulos de artigos, vídeos, notícias, livros etc.
Os copywriters, que (quase sempre) estão por trás desses títulos, conhecem muito bem o seu poder de influência. Um estudo divulgado pelo Click Laboratory, inclusive, demonstrou que os títulos com números em destaque são mais persuasivos que tutoriais, afirmações ou perguntas, por exemplo.
Alguns profissionais defendem números certeiros capazes de aguçar o desejo da maioria das pessoas. O número 7, por exemplo, é o preferido dos gurus do Marketing Digital.
Tendemos a atrelar números a ordem, precisão e lógica. Eles agregam credibilidade aos argumentos — o que é de se esperar dados os seus princípios matemáticos—, mas nem sempre são verdadeiros ou coerentes.
Utilizando, mais uma vez, o exemplo do segundo tópico, qual dos dois títulos a seguir chama mais a sua atenção?
“Ivermectina pode reduzir o risco de morte por COVID-19”.
“Ivermectina pode reduzir o risco de morte por COVID-19 em até 75%”.
Na busca desenfreada por cliques e views da internet, os editores e produtores fazem todos os malabarismos possíveis para estampar um belo e atraente número nos seus títulos: destacam resultados preliminares como conclusões definitivas, omitem dados essenciais, selecionam valores de forma arbitrária, distorcem opiniões de profissionais, entre outras façanhas textuais.
Em todos os casos, o que realmente confirmará a validade do número é sua fonte e seu contexto. Mas para tirar a prova, será preciso se entregar, pelo menos parcialmente, à estratégia do autor. Ou seja, clicar no título e ler o texto até o fim.
Cuidado com os números!
5. Pouca compreensão da ciência
O último relatório da pesquisa global State of Science Index – SOSI, que mede a percepção da sociedade sobre a ciência anualmente, demonstrou que a confiança dos brasileiros na ciência cresceu no primeiro ano de pandemia.
O ceticismo em relação à pesquisa científica caiu de 42% para 33% entre os mil brasileiros respondentes. Além disso:
86% deles concordam que a ciência desempenha um papel crítico na resolução das crises de saúde pública;
89% disseram que a ciência precisa de mais financiamento;
88% acreditam que a ciência tornará suas vidas melhores nos próximos 10 anos;
92% acreditam que as pessoas devem seguir os conselhos científicos para conter o vírus;
86% dos brasileiros acreditam que há consequências negativas para a sociedade se as pessoas não valorizarem a ciência.
Apesar dos números favoráveis, é notável que o conhecimento científico, especialmente o de autoria nacional, nunca teve o reconhecimento merecido no país.
Observa-se um escancarado desentendimento (inclusive em materiais publicados em grandes veículos de comunicação) sobre o que, de fato é a ciência, bem como seus métodos e processos.
No entanto, isso não parece reduzir o impacto dos gatilhos mentais citados. Os charlatões adoram estampar currículos pomposos e até o mais chato negacionista gosta de compartilhar supostas “descobertas científicas” para validar seus delírios.
É uma espécie de confiança seletiva: quando os dados dizem o que eles querem ouvir, eles aprovam; quando apontam em outra direção, eles negam.
Reduzem o debate científico a uma mera questão de opinião, misturando evidências (muitas vezes questionáveis) com palpites sem fundamento.
Acredito que a ciência tem sim autoridade. Entretanto, a compreensão popular sobre ela deixa muito a desejar. E é ai que está o problema.
Toneladas de conteúdos ditos científicos na imprensa, na internet e até em periódicos acadêmicos, estão apenas fantasiados de ciência — se aproveitam de sua relevância e da má compreensão do público sobre o assunto para promover informações falsas.
A boa notícia é que é possível se prevenir. Ou seja, aguçar o olhar para o conteúdo divulgado nas mídias e, quem sabe, frear o crescimento das fake news da saúde e da ciência.
Ninguém precisa ser um acadêmico para interpretar, avaliar e discutir estudos científicos. Mas precisamos, no mínimo, entender como essas pesquisas funcionam e, principalmente, saber diferenciar a ciência daquilo que ela não é.