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Os gurus da internet e porque você deve tomar cuidado com eles

Campanhas de marketing bem elaboradas, grandes eventos, histórias maravilhosas, transformações de vida, críticas, fraudes, promessas, reclamações, polêmicas… Seja bem-vindo ao mundo dos gurus da internet!

Há uma preocupação por parte de críticos (entre os quais, encontram-se muitas vítimas) sobre o fervor criado em torno de personalidades influentes nas mídias sociais, as quais me refiro neste texto como “gurus da internet”.

Autodenominados especialistas em diversas áreas estão se beneficiando do marketing de conteúdo para fortalecer sua autoridade online, atraindo cada vez mais pessoas com suas promessas extravagantes.

A falta de informação e de experiências sólidas pode tornar qualquer pessoa um alvo fácil de discursos ludibriosos, e um dos propósitos deste artigo é fazer um alerta sobre isso.

A internet está repleta de profissionais espetaculares, mas o amplo acesso a estratégias sofisticadas de divulgação está favorecendo a promoção de pessoas nem sempre confiáveis.

Nos próximos parágrafos tento oferecer um breve esclarecimento sobre como tudo isso acontece, que tipos de inconsistências merecem a nossa atenção e porque nem todos os gurus da internet são enganadores, acredite ou não.

Empreendedorismo nos palcos da internet

O fomento ao empreendedorismo se espalha rapidamente pelo país. Embora existam projetos sérios e mentores respeitáveis em atividade, não é raro encontrar empresários questionáveis com promessas estapafúrdias por ai.

A mitificação da figura do empreendedor gera muito debate, sobretudo pelo crescente número de “especialistas” e “intelectuais” que tiram proveito disso para se autopromover. 

Muitas vezes o “grande negócio” se resume a dar palestras caríssimas sobre negócios. O palestrante passa a vender não só a suposta vida realizada como empreendedor, mas também o estrelato.

A internet está inundada de artigos e produtos que apelam meramente por orientações motivacionais. O interessante é que as “soluções” apresentadas costumam ser tão simplórias e generalistas que a heterogeneidade do público já nos desperta desconfiança.

Como se os palcos das empresas e eventos de fomento não fossem suficientes, os gurus esbanjam perfis quentes nas redes sociais e produzem conteúdo sem parar. Abusam de técnicas de persuasão e promovem campanhas de marketing fantásticas convencendo mais e mais pessoas a darem ouvidos aos seus discursos.

Verdade seja dita: o marketing digital impulsionou muitos gurus da internet. Na web, eles encontraram um meio prático de escalar as suas ideias polêmicas e, claro, lucrar bastante!

E na prática, como é?

Boa parte da informação distribuída por diversos gurus da internet — englobando influenciadores dos mais distintos nichos — se limita a uma repetição constante de conhecimentos abstratos: frases de efeito, técnicas para isso ou para aquilo, como ser uma pessoa melhor no trabalho, em casa, na vida etc.

O fato é que a estratégia motivacional é universal, funciona para todos, até para o profissional de uma área completamente desvinculada do tema central do conteúdo. 

A carência de ensinamentos práticos e bem fundamentados é um claro indício de que o suposto orientador fala muito mais do que faz e entrega muito menos do que promete.

É fundamental analisar com cuidado o material fornecido por esses supostos experts, pois em meio à avalanche de conteúdos postados, muitas vezes não existe nada realmente relevante.

É só seguir o passo a passo?

Vários códigos, segredos e fórmulas vendidas na internet apresentam conteúdos que estimulam demasiadamente a expectativa dos seus clientes, como se a solução oferecida pelo curso fosse uma espécie de passo a passo infalível.

Se, no passado, campanhas de marketing e estratégias de negócio milionárias conduzidas por profissionais altamente capacitados falharam, o que esperar dos esforços de uma pessoa inexperiente?

São muitos fatores a se considerar, e até nos melhores cenários existirão grandes chances de tudo dar errado.

É claro que não é legal generalizar. Se desqualificamos a universidade devido aos alunos que saem dali e não conseguem um bom emprego, por exemplo, ninguém se daria ao trabalho de prestar vestibular. Se os empresários se pautassem apenas nos inúmeros negócios que declaram falência todos os anos, ninguém mais empreenderia.

A verdade, no entanto, é que não há como garantir que seu novo negócio dará certo, que seu futuro casamento dará certo, nem que seu próximo fim de semana dará certo. As coisas, simplesmente, não dão certo para todos.

Qualquer escolha ou investimento implica riscos, muitos riscos. Portanto, muito cuidado com as supostas garantias prometidas por ai.

Guru na internet, faraó nos negócio. Será?

Pirâmides financeiras são uma prática ilegal e muitas empresas brasileiras já foram investigas e condenadas por atuações do gênero. Esse tipo de esquema manchou bastante a reputação do marketing multinível que (discussões à parte) é uma atividade legalizada.

A diferença entre a pirâmide e o marketing multinível é que o último deve ser sustentável. Na pirâmide, o recrutamento de novos representantes é intenso e os produtos e serviços oferecidos não costumam ter valor significativo no faturamento. Às vezes nem sequer existem!

Quando novos recrutamentos se mostram inviáveis, o sistema trava. Eis, então, que a base da pirâmide sofre altos prejuízos, enquanto o topo celebra lucros estratosféricos.

Acusar gurus da internet por práticas dessa natureza é muito grave. O que ocorre muitas vezes não é exatamente uma pirâmide, mas um sistema de vendas com baixíssima sustentabilidade.

Muitos cursos, por exemplo, pecam ao ensinar seus alunos a venderem somente produtos da mesma categoria, se não (o que é bem comum) o mesmo produto! Dessa forma, o aluno é obrigado a atuar em uma espécie de “marketing multinível” oferecido pelo produtor.

A internet está pulverizada de ditos “especialistas” oferecendo produtos de terceiros, uma consequência direta desse problema. Pessoas com pouquíssima (ou nenhuma) experiência tentando criar autoridade sem qualquer base sólida, simplesmente reproduzindo os discursos do seu instrutor.

E a ética?

O marketing explora diversas ferramentas de persuasão e o uso dessas técnicas é comprovadamente eficaz na obtenção de público e clientes, principalmente na internet.

A questão é que hão há uma divisão clara entre a persuasão comercial e a manipulação propriamente dita. Enquanto essa discussão divide a opinião dos profissionais, negócios e estratégias de marketing digital usam e abusam de metodologias persuasivas, do primeiro contato com o público até a oferta.

À princípio, não há problema nisso, desde que o material apresentado não seja capaz de “desarmar” o cliente para futuras reclamações e denúncias necessárias.

Em muitos casos, porém, cria-se um valor tão grande que o produto passa a ser entendido como algo “infalível”. Dessa forma, o cliente é sempre visto como o principal culpado por resultados inesperados, o que nem sempre é verdade.

De maneira semelhante, o vínculo gerado entre cliente e influenciador por meio do contato constante pode acabar gerando um respeito acima do desejável pela autoridade em questão, que nem sempre é uma autoridade, diga-se de passagem. 

O interessado precisa estar ciente de que tudo faz parte do trabalho do guru, que nada mais é do que um vendedor.

Isso não quer dizer que um influenciador não pode criar laços com o cliente ou esteja sempre escondendo más intenções. Só não devemos nos esquecer que ele chega até o seu público por alguma razão comercial, mesmo quando suas propostas são sinceras.

O velho jogo sujo

Denúncias mais graves também são encontradas em blogs e redes sociais. A prova social, por exemplo, é um artificio eficaz para apresentar o ponto de vista dos clientes sobre uma marca ou produto.

Sabe quando você decide comprar uma coisa, mas antes decide verificar a opinião de quem já comprou para se certificar que está fazendo um bom negócio? Essas avaliações são um dos tipos mais comuns de prova social, seguidas pelos famosos “cases de sucesso”.

Os feedbacks exibidos nas páginas de venda de muitos gurus esbanjam uma série de inconsistências. A primeira delas (básica) é que o vendedor expõe apenas as histórias de pessoas que se deram muito bem com o produto.

Denúncias ou comentários negativos são rejeitados ou imediatamente apagados. Apenas alguns são mantidos para conferir uma sensação de transparência.

E o problema fica ainda pior quando se investiga a autenticidade dessas histórias. Muitos depoimentos são produzidos por vendedores comissionados ou por parceiros comerciais.

Existem, inclusive, pessoas que dão testemunhos em troca do produto. Ou seja, elogiam o material antes de sequer conhecê-lo! E também há relatos de possíveis “recompensas” oferecidas a clientes insatisfeitos em troca de silêncio nas redes sociais e em sites especializados como o Reclame Aqui.

Não se esqueça dos oportunistas

Infelizmente o problema não acaba com as autoridades dissimuladas, existe outro tipo de influenciador questionável que também merece a nossa desconfiança.

A oferta de conteúdo nos dias de hoje está quase sempre atrelada a fortes tendências e polêmicas. Um assunto que ganha grandes proporções na mídia é como uma enorme onda despontando no mar, repleta de “surfistas” (especialistas, gurus, jornalistas e blogueiros) tentando se manter o maior tempo possível sobre ela.

O interessante é que quando essa “onda” põe em xeque a credibilidade de uma pessoa ou empresa, críticos questionáveis passam a surgir por todos os lados tentando se promover rapidamente.

Muitos ataques feitos a personalidades da TV ou da internet partem de pessoas que nem se deram ao trabalho de analisar os fatos. Criticam livros sem sequer folheá-los. Criticam projetos sem conhecer suas propostas. Criticam profissionais sem ao menos avaliar o trabalho que desenvolvem.

Críticas que se pautam apenas em outras críticas, entre as quais praticamente não se encontram argumentos bem estruturados. Me refiro a esses sujeitos como urubus, pois adoram tirar proveito da “carcaça” dos outros para ganhar visibilidade e aparentar credibilidade.

Em meio à multidão de gurus, surgem também os críticos de gurus (ou urubus), aqueles que se autoproclamam senhores da verdade, mas escondem segundas intenções bem parecidas com aquelas que criticam.

Dá pra confiar em alguém?

É preciso deixar claro, no entanto, que nem todo guru é um enganador, ainda que as polêmicas estimulem esse pensamento.

Não vamos abrir uma votação para eleger quais deles merecem sua atenção ou não, mas é preciso reconhecer que existem excelentes profissionais dispostos a compartilhar ideias e experiências importantes.

A mitificação do empresariado é encarada de maneira positiva por uns e negativa por outros, mas é certo que muitas pessoas estão abrindo seus olhos para novas oportunidades em um mundo que exige mudanças rápidas.

Devemos nos esforçar para separar o joio do trigo, ou seja, identificar e banir os que se aproveitam disso para obter vantagens particulares, e dar foco às iniciativas que são, de fato, relevantes.

O mercado online está crescendo, as plataformas e ferramentas estão cada vez mais eficientes e novas pessoas estão se aproximando desse universo com a ajuda dos influenciadores.

Por meio de discursos — que, certamente, não agradam todos — eles revelam saídas para muita gente que realmente precisa de orientação e muitas vezes não faz ideia de que poderia ter uma vida melhor.

Entre elogios e críticas, muitas pessoas estão descobrindo oportunidades com a ajuda dos gurus e várias delas estão se dando muito bem.

Por fim, mas não menos importante, precisamos esclarecer que o consumidor moderno não é uma vítima ingênua de vendedores dissimulados. Pelo contrário, as pessoas estão cada vez mais atentas e dispostas a expor a sua opinião sobre o que aprovam e desaprovam, exigindo seus direitos como consumidoras e cidadãs.

Esperamos que os gurus da internet — não todos, apenas os golpistas e charlatões — caiam com a repercussão de críticas, reclamações e denúncias. Mas, de qualquer forma, fica a dica de todo bom precavido: desconfie sempre!

Por Leandro Abreu

Produtor de conteúdo com treinamento e experiência em Redação para Inbound Marketing, Storytelling, SEO (essencial, técnico e avançado), planejamento de Marketing de Conteúdo, bem como em criação e gerenciamento de sites WordPress. Saiba mais.

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