A inteligência artificial está mudando profundamente a maneira como encontramos informações na internet. Isso significa que o SEO morreu e deu lugar ao GEO?

Nos últimos tempos, quem trabalha com SEO se depara com uma sigla nova a cada semana: AEO, AIO, AI SEO, GEO, Search Everywhere Optimization…

É um misto de curiosidade, afinal muitas coisas estão acontecendo, mas também de desconfiança, convenhamos.

A mudança é real, muito real. Mas ainda tenho dúvidas se a sigla GEO sobreviverá. E, sinceramente, isso é o que menos importa.

Bora bater um papo sobre isso?

A busca mudou, e isso é inegável

Durante muito tempo, falar em busca na internet era praticamente sinônimo de falar em Google.

Mesmo com o crescimento gigantesco das redes sociais e dos marketplaces, o buscador seguiu por décadas praticamente invicto.

As coisas só começaram a mudar mesmo com o lançamento do ChatGPT e, posteriormente, de outras ferramentas de IA.

Hoje, uma pessoa pode fazer uma pergunta para o ChatGPT, Gemini, Perplexity e receber uma resposta completa sem precisar visitar nenhum site — seu CTR despencou por aí, não foi?

O próprio Google passou a inserir respostas generativas diretamente nos seus resultados por meio das AI Overviews e de outras experiências baseadas em IA.

Não é algo tãaao diferente do que aconteceu quando o Google introduziu os featured snippets, mas com certeza é algo muito maior e muito mais profundo.

É daí que surge o GEO

GEO é a sigla para Generative Engine Optimization, ou otimização para mecanismos generativos.

Em termos simples, é o conjunto de estratégias utilizadas para aumentar as chances de uma marca, empresa, pessoa ou conteúdo aparecer como fonte, referência ou recomendação nas respostas produzidas por sistemas de inteligência artificial.

Nesse novo cenário,

o nosso objetivo vai além de conquistar boas posições nos rankings de pesquisa e agora envolve também ser citado e, preferencialmente linkado, nas respostas generativas.

Uma verdadeira revolução? Acho que não é pra tanto.

Muito do GEO é só SEO

Quando comecei a estudar GEO mais profundamente, uma coisa ficou cada vez mais evidente: boa parte das recomendações parece uma lista tradicional de boas práticas de SEO.

Basicamente, para aparecer nas IAs, é fundamental:

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Nada disso nasceu com o ChatGPT ou Gemini. Na verdade, algumas dessas práticas existem há décadas.

O que mudou é a maneira como as informações são consumidas, interpretadas e apresentadas. E isso não é pouca coisa.

GEO é SEO com outro nome?

Também não.

O que fazemos não mudou completamente, mas o ambiente para o qual estamos otimizando mudou bastante.

Um mecanismo generativo não funciona exatamente como uma página tradicional de resultados de busca.

Ele pode decompor uma pergunta, pesquisar diferentes fontes, recuperar trechos específicos, comparar informações e produzir uma nova resposta.

Isso cria preocupações que antes tinham importância menor, como:

É uma mudança legítima.

O clique deixou de ser a única vitória possível

Essa é a mudança que considero mais importante.

Historicamente, o SEO foi extremamente orientado ao tráfego. Conquistar impressões é legal, rankear bem é bom, mas o que os clientes querem ver são os cliques.

O problema é que no universo das respostas generativas,

uma empresa pode aparecer repetidamente como referência sem necessariamente receber uma visita em todas essas ocasiões.

Imagine alguém perguntando: “Quais são as melhores ferramentas para fazer X?”. Se uma IA mencionar sua empresa entre as principais opções, isso possui valor mesmo que o usuário não clique imediatamente.

Ele pode pesquisar sua marca depois.

Pode lembrar dela.

Pode encontrá-la novamente em outra plataforma.

Pode pedir à própria IA mais informações sobre ela.

Ou seja, a visibilidade passa a existir também dentro da resposta. Isso obriga os profissionais de SEO e seus clientes a pensar um pouco mais como profissionais de marca.

E não é só isso.

A busca está se fragmentando

A busca nunca foi tão dinâmica. As pessoas pesquisam no Google, no ChatGPT, no YouTube, nos marketplaces, no TikTok. Visitam uma ferramenta, trocam, alternam.

Isso explica o crescimento de outra expressão, o Search Everywhere Optimization — que, conceitualmente, talvez descreva melhor o fenômeno mais amplo que está ocorrendo.

A questão é que isso não é novidade. As redes sociais já provocaram uma gigantesca fragmentação da busca, e agora isso se ampliou com os assistentes de IA.

A boa notícia é que cercar o cliente não ficou necessariamente mais trabalhoso. Uma mesma otimização de GEO pode te ajudar a aparecer em diferentes ferramentas, do Google aos chats famosos.

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O SEO vai morrer (de novo)?

O SEO já morreu mil vezes.

Morreu quando chegaram as redes sociais. Morreu quando lançaram os featured snippets. Morreu quando o TikTok viralizou. Morreu quando o ChatGPT apareceu e mudou o mundo.

Hoje, alguém deve estar dizendo por aí que ele morreu com a expansão das AI Overviews.

Bem. Ainda não morreu.

Na realidade, a maior parte do trabalho continua exatamente a mesma coisa, mesmo com a introdução das estratégias para ferramentas generativas.

Não tenho dúvidas de que as práticas associadas ao GEO serão cada vez mais importantes para o SEO. O que me pergunto é se, daqui a cinco anos, continuaremos chamando elas de GEO.

Os profissionais de marketing digital têm um talento impressionante para criar siglas. Algumas sobrevivem. Outras são absorvidas por conceitos maiores. E algumas simplesmente desaparecem.

O termo SEO já incorporou inúmeras transformações sem precisar mudar de nome, e há uma boa chance dele “engolir” o GEO também.

Ou, quem sabe, nenhum dos dois prevaleça. Talvez o profissional de SEO do futuro nem seja chamado de SEO. É uma possibilidade também.

Entretanto, a sigla que prevalecerá pouco importa.

Enquanto as pessoas utilizarem sistemas para encontrar informações, produtos, serviços, empresas ou especialistas, existirá algum tipo de otimização para descoberta.

O que faço hoje como profissional de SEO?

Eu trabalho com marketing digital há quase 10 anos. Diretamente com SEO há uns 5 anos. Sinceramente, vejo uma grande transformação no mercado e no comportamento do usuário acontecendo, mas não vejo uma grande revolução na nossa área, especificamente.

Uma coisa é certa,

não dá mais para pensar que o único indicador possível de sucesso é conquistar uma posição azul em uma SERP e esperar pelo clique.

Precisamos pensar mais em branding e notoriedade na web, e também precisamos criar conteúdos que dialoguem bem com os bots e sistemas de análise das ferramentas de IA.

Entretanto, ao longo do dia, seguimos preocupados com os mesmos fundamentos que sempre importaram: conteúdo, autoridade, experiência e relevância.

O profissional de SEO hoje pode tentar acompanhar o tráfego proveniente de ferramentas de IA, tentar monitorar as marcas que são mencionadas nas respostas generativas — sim, “tentar”, pois ninguém sabe exatamente como fazer isso ainda, ok? Cuidado com os gurus!

No fim, tudo termina quase sempre na mesma: qualidade do conteúdo.

Sobretudo agora, diante de uma internet pulverizada de conteúdos criados em massa, nunca foi tão importante produzir materiais de alto valor, que realmente acrescentem informação à web, incluindo experiência própria, opiniões, pesquisas, exemplos e evidências demonstráveis.

O GEO, portanto, nada mais é do que um novo capítulo inevitável do bom e velho SEO. O jogo não mudou, só o tabuleiro que ficou maior.


Leandro Abreu é profissional de Marketing Digital com foco em SEO (Search Engine Optimization), GEO (Generative Engine Optimization) e sites WordPress. Além do ofício, também escreve sobre home office, carreira, finanças, livros, música e questões contemporâneas.

Leandro Abreu é profissional de Marketing Digital com foco em SEO (Search Engine Optimization), GEO (Generative Engine Optimization) e sites WordPress. Além do ofício, também escreve sobre home office, carreira, finanças, livros, música e questões contemporâneas.


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