Digital ou virtual? Do que, realmente, estamos falando?

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Foto gerada por IA: garotinha usando óculos de realidade virtual futurista

Nos tempos atuais, é comum vermos os termos digital e virtual sendo usados como sinônimos. No entanto, segundo o filósofo Pierre Lévy, essa confusão esconde uma diferença fundamental e importante para entendermos a natureza das tecnologias com as quais lidamos diariamente.

Vamos explorar melhor esses conceitos.

O que é o digital?

O termo digital refere-se a qualquer informação que tenha sido convertida em números – ou seja, codificada em formato binário – para que possa ser armazenada, processada ou transmitida por meios eletrônicos.

Um conteúdo digital pode ter origem no mundo físico ou não, mas sempre assume uma forma numérica manipulável por dispositivos eletrônicos. Isso inclui:

  • uma foto digital tirada por uma câmera (representação numérica de uma imagem real);
  • uma música em MP3, convertida a partir de uma gravação analógica;
  • um livro digital, derivado de um livro impresso.

Portanto, o digital está ligado à forma como algo é estruturado e transmitido: é o código, o dado. Pode representar tanto algo concreto quanto abstrato, mas sempre traduzido para um formato numérico.

O que é o virtual?

Já o virtual é um conceito mais amplo e mais filosófico. Para Lévy, o virtual não é o oposto do real, mas sim do atual. O virtual representa algo que possui potência de se concretizar, mas ainda não está atualizado no mundo físico. Ou seja, ele é real em potência, mas não em ato.

No uso cotidiano, consideramos virtual tudo aquilo que existe em ambientes computacionais, acessado por meio de telas, redes e dispositivos. São experiências e espaços sem presença física, como:

  • jogos online;
  • reuniões por videoconferência;
  • avatares em mundos digitais;
  • documentos armazenados em nuvem.
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Diferentemente do digital, que trata da forma numérica, o virtual trata da realidade experienciada em ambientes não físicos.

Digital e virtual: resumo das diferenças

Em resumo:

ConceitoDefiniçãoExemplo
DigitalInformação codificada numericamente para ser transmitida ou armazenada por meios eletrônicos.Uma música em MP3, um PDF, uma foto em JPG.
VirtualAquilo que não tem presença física, mas existe em ambientes computacionais e pode ser interagido subjetivamente.Uma reunião no Zoom, um avatar em um jogo, um mundo no metaverso.

Portanto, algo pode ser digital sem ser virtual, e algo pode ser virtual, mas construído a partir de elementos digitais.

O virtual é “irreal”?

Não necessariamente. A realidade do virtual é subjetiva e contextual. Embora não possuam materialidade, os ambientes virtuais produzem efeitos reais: relações sociais, experiências emocionais, decisões profissionais, interações humanas.

Quando você conversa com alguém em uma videoconferência, joga online com amigos ou assiste a uma aula virtual, está experienciando uma realidade mediada, mas não uma ilusão.

Como diz Pierre Lévy, o virtual é real, mas ainda não atualizado: ele não é inexistente, apenas não possui uma forma física tradicional.

Como distinguir o virtual do concreto?

Uma forma prática de fazer essa distinção é observar se algo possui existência física autônoma:

  • Um livro impresso, uma cadeira ou uma reunião presencial são concretos: existem no espaço físico e podem ser tocados ou vivenciados com o corpo presente.
  • Um e-book, um avatar ou uma reunião por Zoom são virtuais: existem apenas por meio de dispositivos, redes e simulações.

No entanto, o virtual pode gerar efeitos concretos – e é por isso que ele faz parte do real, mesmo sem ser tangível.

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A distinção entre digital e virtual, embora sutil, é essencial para entendermos o mundo contemporâneo. O digital diz respeito ao formato numérico da informação. O virtual, à natureza imaterial e relacional da experiência.

Compreender essa diferença nos ajuda a navegar melhor na era das redes, das simulações e das tecnologias inteligentes – e, acima de tudo, a perceber que o real é cada vez mais composto por camadas múltiplas, tangíveis ou não.

Partes deste conteúdo foram geradas por ferramentas de Inteligência Artificial, como o ChatGPT, assim como algumas análises exploradas no texto. A construção e a revisão do conteúdo foram feitas por pessoas.

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